O Príncipe Me Condenou Até Sua Própria Voz Revelar a Verdade-Neyney

A mudança de sentença aconteceu diante de todo o salão: eu não seria executado. Caio me manteria no palácio como consultor temporário de maldições, ainda algemado e sob vigilância.

— Então é assim que a Coroa chama um prisioneiro com iluminação melhor? — perguntei.

Ele não respondeu.

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Fui levado a um quarto da ala oeste que tinha cortinas de veludo, uma cama imensa, café coado e um prato de pão de queijo.

A cela mais confortável do reino também tinha três guardas na porta.

Caio apareceu depois do anoitecer com duas pulseiras de prata trabalhada.

— Elas vão conter sua magia.

Ele mesmo fechou os fechos.

Seus dedos ficaram meio segundo a mais sobre meu pulso, bem em cima das cicatrizes antigas.

— Algemas com acabamento de joalheria — murmurei. — A opressão ganhou filigrana.

Durante os dias seguintes, Caio evitou dizer meu nome.

Chamava-me de mago azul, problema da ala oeste, ameaça de maçãs do rosto e, numa manhã particularmente ruim, aquele homem.

A estratégia fracassou na discussão sobre meu acesso à biblioteca.

— Marino, você não vai entrar sozinho—

O grasnado saiu tão triste que duas copeiras no corredor pararam com a bandeja no ar.

Ao mesmo tempo, a linha escura ao redor do peito dele estalou sob minha visão mágica.

Caio empalideceu.

— Havia um estábulo — disse. — Estava pegando fogo. Alguém me puxou para fora. Eu vi chamas azuis.

Meu sarcasmo morreu antes de alcançar a boca.

A lembrança havia sido enterrada por outra pessoa.

E a maldição do pato estava rompendo o lacre.

Caio abriu a porta e chamou o capitão da guarda.

— Amanhã, Marino entra comigo no conselho privado. Otávio não pode saber. A partir de agora, essa investigação fica entre nós.

O capitão hesitou antes de obedecer.

Até aquela tarde, o príncipe nunca permitira que um mago proibido chegasse perto do conselho.

Agora estava escondendo um de seu próprio alto-mago.

A porta se fechou.

Caio voltou para mim com a expressão de quem acabara de atravessar uma ponte sem saber se havia chão do outro lado.

— Você reconheceu aquela lembrança — disse ele.

— Reconheci fogo, fumaça e decisões ruins. Sua infância parece ter sido muito bem administrada.

— Pare de brincar.

— Eu paro quando as pessoas param de tentar me executar antes do almoço.

Ele respirou fundo.

A linha escura pulsou novamente.

Dessa vez, pude ver pequenos nós presos às costelas, à garganta e à base do pescoço.

Cada nó carregava uma lembrança comprimida.

Alguém não havia apenas amaldiçoado Caio.

Alguém havia editado sua vida.

— Preciso tocar a linha — expliquei. — A magia pode reagir.

— Reagir como?

— Talvez doa. Talvez eu desmaie. Talvez você volte a grasnar em diferentes tonalidades.

— A última opção parece agradar você demais.

— É a única parte desta prisão que oferece entretenimento gratuito.

Caio sentou-se diante de mim.

Eu encostei dois dedos no centro de seu peito.

A magia azul atravessou o tecido e encontrou a linha escura.

Ela se contorceu como algo vivo.

Caio segurou meu pulso.

Não para me afastar.

Para se manter firme.

Vi um menino de doze anos preso dentro de um estábulo em chamas.

Vi uma figura encapuzada atravessar o fogo azul e carregá-lo para fora.

Senti a lembrança ser arrancada logo depois.

A assinatura de Otávio estava em cada corte.

Retirei a mão.

Caio respirava depressa.

— Foi você? — perguntou.

Eu poderia ter mentido.

Durante anos, mentir por silêncio havia sido meu método preferido de sobrevivência.

— Sim.

A resposta pareceu feri-lo mais do que a maldição.

— Por quê?

Olhei para as pulseiras de prata.

Minha resposta começava muito antes daquela prisão.

A mãe de Caio me encontrara nas matas próximas à fronteira quando eu ainda era quase uma criança.

Eu estava faminto, ferido e sendo caçado por causa da minha magia.

Ela me escondeu durante uma estação numa casa simples usada pelos guardas das terras reais.

Levava comida quando conseguia escapar da corte.

Nunca me chamou de monstro.

Antes de me mandar para um lugar seguro, pediu apenas uma coisa.

— Mantenha meu filho vivo caso esta corte apodreça ao redor dele.

Dívidas de bondade não pesam como correntes; pesam como promessas.

Eu aceitei.

Aos doze anos, tirei Caio do estábulo.

Aos dezesseis, desviei uma lâmina envenenada destinada a ele.

Passei três dias com febre, sozinho, num quarto alugado.

Aos dezenove, segurei sua mão quando uma ponte cedeu sob seus pés.

Também removi veneno do forro de uma coroa cerimonial.

Desfiz dois encantamentos de memória sem permitir que ele visse meu rosto.

Caio ouviu tudo sem me interromper.

Quando terminei, seu olhar caiu sobre as cicatrizes ao redor dos meus pulsos.

— Minha família fez isso?

— Pessoas que trabalhavam para ela.

Ele não tentou defender ninguém.

Isso me desarmou mais do que uma desculpa teria feito.

— E Otávio sabia?

— Otávio provavelmente escolheu as correntes.

A linha escura apertou o peito dele.

Caio fechou os olhos.

— Amanhã descobriremos o restante.

O ataque aconteceu antes.

Era uma manhã comum de terça-feira.

Caio participava de uma reunião privada sobre uma suposta disputa na fronteira.

Eu permanecia ao fundo, preso pelas pulseiras e observado pelo capitão.

Otávio não apareceu.

Esse foi o primeiro sinal.

O segundo veio quando dois conselheiros abriram uma porta lateral que nunca era usada durante reuniões.

Homens armados invadiram o salão.

Caio estava sem espada.

Os conselheiros correram.

Um atacante avançou pelo lado direito, rápido demais para o capitão alcançar.

A lâmina apontava para o coração do príncipe.

Eu poderia ter fugido.

As portas estavam abertas.

A confusão escondia qualquer movimento.

Em vez disso, quebrei as pulseiras.

A prata se partiu numa explosão de faíscas azuis.

Coloquei-me entre Caio e a espada.

O fogo respondeu antes que eu formulasse o feitiço.

Uma parede azul atravessou o salão e lançou o agressor contra uma coluna.

Os outros homens tentaram recuar.

Fechei as saídas com arcos de chamas frias.

O capitão derrubou dois deles.

Os restantes largaram as armas.

Quando o silêncio voltou, as pulseiras destruídas estavam espalhadas pelo chão.

Caio olhava para mim.

— Você poderia ter partido.

— Poderia.

— Por que não foi?

— Porque faço escolhas ruins perto de desastres reais com maçãs do rosto excessivamente definidas.

Ele não sorriu.

Aproximou-se e segurou meu pulso machucado.

O toque foi cuidadoso.

— Quem colocou as primeiras correntes em você?

— A lista é longa.

— Quero os nomes.

— Para quê?

A resposta dele veio baixa.

— Para garantir que nunca mais possam fazer isso com ninguém.

Eu conhecia a raiva de Caio.

Sabia provocá-la, desviar dela e sobreviver a ela.

A gentileza era um terreno muito mais perigoso.

Ele examinou a marca deixada pela prata.

— Eu não odeio você.

— Meus sentimentos. Parece grave.

— Estou tentando ser honesto.

— Eu percebi. Seu rosto parece sentir dor física.

Dessa vez, ele quase sorriu.

O capitão interrompeu o momento.

Um dos atacantes carregava uma ordem falsa com o selo do conselho.

Outro tinha moedas e instruções assinadas por um intermediário ligado a Otávio.

Caio mandou fechar as portas do palácio.

Depois fez algo que nenhum dos presentes esperava.

Entregou-me uma chave.

— Você não usará mais pulseiras.

— Sua confiança cresceu de forma preocupante.

— Minha confiança em você cresceu.

Ele olhou para os homens caídos.

— Minha confiança no restante do palácio acabou.

Nos dias seguintes, Caio passou a me proteger diante da corte.

Corrigiu um nobre que me chamou de ameaça azul.

Exigiu minha presença nas reuniões.

Compartilhou registros que antes mantinha escondidos.

Também desenvolveu um comportamento estranho sempre que alguém demonstrava interesse em mim.

O cavaleiro Rafael apareceu para examinar os fechos quebrados das pulseiras.

Ele elogiou a forma como minha magia redirecionava encantamentos de contenção.

— Seu controle é elegante — disse Rafael.

— A bajulação não vai levar você a lugar algum, mas pode continuar tentando.

Caio estava perto da janela.

Ele não participava da conversa.

Também não parava de escutá-la.

Rafael permaneceu dez minutos além do necessário.

Então o príncipe descobriu um problema urgente no telhado da torre norte.

— Rafael, faça uma inspeção imediata.

O cavaleiro olhou para o céu carregado.

— Agora, Alteza?

— Agora.

Rafael saiu para a chuva.

Cruzei os braços.

— Mandou um homem subir num telhado molhado porque ele elogiou minha magia?

— O telhado pode estar comprometido.

— O telhado está firme. Sua estabilidade emocional é que apresenta infiltrações.

As orelhas de Caio ficaram vermelhas.

Naquela noite, Rafael também recebeu a tarefa de contar garrafas na adega.

Aparentemente, o ciúme do príncipe exigia manutenção estrutural e inventário de bebidas.

Enquanto isso, a linha escura continuava cedendo.

Cada emoção verdadeira enfraquecia um nó.

A raiva encenada não produzia efeito.

O medo, a culpa e o afeto faziam a magia rachar.

Otávio percebeu que estava perdendo controle.

Ele pediu um julgamento público.

As acusações foram anunciadas diante de toda a corte.

Eu teria enfeitiçado o príncipe.

Teria criado a maldição do pato para humilhá-lo.

Teria usado magia amorosa para controlar seus sentimentos.

O salão lotou antes do horário.

Alguns nobres levaram doces embrulhados em guardanapos.

Pelo menos a minha possível execução vinha acompanhada de lanche.

Fui colocado diante do trono outra vez.

Desta vez, não usava algemas.

Otávio apresentou sua versão com voz calma.

Segundo ele, Caio havia perdido a capacidade de decidir por conta própria.

— O mago transformou desejo em obediência — afirmou. — Nenhuma palavra do príncipe pode ser considerada livre.

Ergui a mão.

— Se eu tivesse criado um feitiço de amor, não faria Caio me encarar como um gato irritado diante de uma cobrança.

Alguns nobres riram.

Otávio lançou-lhes um olhar gelado.

Caio se levantou.

— Eu não estou apaixonado por ele.

A maldição não produziu apenas um grasnado.

Uma harmonia inteira de patos invisíveis explodiu pelo salão.

Havia notas agudas, graves e uma sequência profundamente melancólica.

Um barão idoso inclinou-se para a mulher ao lado.

— Isso foi uma segunda voz?

— Acho que houve acompanhamento.

Mantive a expressão séria.

— A defesa retira a pergunta.

Caio ficou vermelho até as orelhas.

Porém, não recuou.

Endireitou os ombros e encarou Otávio.

— O que sinto não é um feitiço.

O salão silenciou.

— É inconveniente, humilhante, mal cronometrado e inteiramente meu.

Pela primeira vez desde minha prisão, fiquei sem resposta.

Otávio aproveitou meu silêncio.

— Isso apenas prova que o julgamento dele foi corrompido.

A linha escura apertou o peito de Caio.

Eu vi o último nó tentando se fechar.

Antes que Otávio concluísse, espalhei magia azul pelo piso.

O feitiço atravessou cada pessoa presente.

— Acrescentei uma regra ao julgamento — anunciei. — Toda mentira produzirá um som proporcional à gravidade do engano.

Otávio perdeu a cor.

— Isso é teatro absurdo.

Nenhum som surgiu.

Era uma opinião sincera.

Ele percebeu e recuperou parte da confiança.

— Sempre servi à Coroa com lealdade.

Um cacarejo rouco saiu de sua garganta.

A corte riu.

Otávio apertou o bastão.

— Nunca prejudiquei o rei Augusto.

O som seguinte pareceu uma mistura de ganso ofendido e porta enferrujada.

Os risos morreram.

Caio desceu os degraus do trono.

— Você envenenou meu pai?

— Não.

Um ruído horrível atravessou o salão.

Dois guardas recuaram.

— Até minha magia achou isso ofensivo — comentei.

Caio continuou avançando.

— Você alterou minhas lembranças?

Otávio demorou a responder.

— Não.

Dessa vez, o feitiço pareceu abandonar qualquer tentativa de imitar um animal reconhecível.

O som foi puro constrangimento transformado em barulho.

O capitão da guarda apresentou os objetos encontrados durante nossa investigação.

Havia frascos de veneno lento.

A composição correspondia aos sintomas do rei.

Havia registros de alterações de memória realizadas durante anos.

Ordens de captura contra magos haviam sido falsificadas.

Cartas mostravam negociações com cortes hostis.

O plano final era declarar Caio incapaz e assumir a regência.

Otávio tentou culpar-me.

O feitiço respondeu antes que ele terminasse.

— Eu pediria que parasse de mentir — falei. — Mas a acústica deste salão está excelente.

Os nobres começaram a se afastar dele.

Guardas cercaram o alto-mago.

O bastão foi retirado de sua mão.

Os selos mágicos foram arrancados de suas vestes.

Caio parou diante dele.

— Você me fez temer a única pessoa que realmente estava me protegendo.

Otávio abriu a boca.

Caio não permitiu que falasse.

— Seu nome será lembrado como advertência, nunca como título.

— E como um som de ganso — acrescentei. — A história merece precisão.

Otávio foi levado sob contenção mágica.

Perdeu o cargo antes de atravessar as portas.

O rei Augusto entrou no salão pouco depois, carregado por dois auxiliares.

Estava pálido e quase inconsciente.

A retirada do veneno não podia esperar.

Ajoelhei-me ao lado dele.

Chamas azuis cobriram minhas mãos.

Conduzi a magia pelo sangue do rei, procurando cada vestígio da substância.

O processo exigia paciência.

Qualquer movimento brusco poderia espalhar o veneno para o coração.

Caio permaneceu próximo.

Ele não desviou o olhar.

Aos poucos, fios escuros saíram da pele do rei e queimaram na chama azul.

Augusto abriu os olhos.

Observou minha magia por alguns segundos.

— Protetor — murmurou. — Sempre foi.

A frase atravessou a corte.

Um conselheiro começou a aplaudir.

Outros acompanharam.

— Se continuarem, vou fingir minha morte e morar num brejo — avisei.

Eles aplaudiram mais alto.

Caio sorriu do outro lado do salão.

Tentei responder com meu melhor olhar de desaprovação.

Minha magia já estava quase esgotada.

O piso inclinou-se sob meus pés.

Vi o teto girar.

Caio chegou antes que eu caísse.

Seus braços me seguraram com força.

— Marino, não morra.

Meu nome produziu um grasnado baixo.

Dessa vez, o som não era ridículo.

Parecia assustado.

— Se esse for o último ruído que eu ouvir, vou assombrar você pessoalmente.

— Eu odeio você — disse ele, com as mãos tremendo.

— Eu sei. Você faz isso de maneira muito confusa.

Perdi a consciência antes de ouvir sua resposta.

Acordei horas depois no quarto confortável que continuava me recusando a chamar de cela.

Caio dormia torto numa cadeira ao lado da cama.

Uma das mãos ainda segurava a minha.

Quando me mexi, ele despertou imediatamente.

— Há quanto tempo está aí?

— Tempo suficiente.

— Isso não é uma medida.

— Recusei três curandeiros, duas refeições e uma reunião.

— Recusou uma reunião por mim?

— Não transforme isso em algo romântico.

— Tarde demais. Foi o gesto mais apaixonado que já testemunhei.

Ele abaixou os olhos.

A linha escura havia desaparecido de seu peito.

— Não sei quando deixei de odiar você.

— Provavelmente depois do terceiro pato.

Caio riu.

O som era cansado, porém verdadeiro.

Depois ficou sério.

— Fique.

Preparei uma piada.

Ela não veio.

— Não porque eu esteja ordenando — continuou. — Fique porque não sei mais atravessar este palácio sem procurar onde você está.

O silêncio durou demais.

Ele esperou.

— Isso quase foi romântico — falei. — Um desenvolvimento horrível.

O sorriso dele mostrou que aceitava aquela resposta.

Nas semanas seguintes, o rei Augusto recuperou força.

Os mandados contra magos proibidos foram anulados.

Prisioneiros foram libertados.

Cartazes de procurados desapareceram das guaritas.

Fiz questão de retirar pessoalmente o que representava meu nariz como uma colher triste.

Caio tentou nomear-me mago real.

Recusei.

— Parece um cargo com reuniões.

Ele sugeriu conselheiro superior.

— São as mesmas reuniões, mas com cadeira mais cara.

Tentou protetor da Coroa.

— Isso parece algo gravado num escudo que ninguém deseja carregar.

A opção seguinte foi chama azul do reino.

Duas copeiras pararam para escutar.

— Alteza, sobrevivi a traições, assassinatos e a um retrato que insultava meu rosto. Eu mereço comida e nenhuma reunião.

Caio pensou por alguns segundos.

— Ameaça real?

— Esse título possui dignidade.

— Não possui.

— Exatamente.

A celebração pela recuperação do rei encheu o mesmo salão onde eu quase fora executado.

Desta vez, nobres e trabalhadores do palácio ocupavam o espaço sem medo.

O pequeno pato de madeira deixado diante do meu quarto estava sobre a mesa do mestre de cerimônias.

Caio alegou não saber como aquilo chegara ali.

Ninguém acreditou.

Ele subiu os degraus para anunciar meu perdão e o título absurdo que finalmente aceitara.

— Marino Alves—

Um grasnado pequeno escapou.

O salão inteiro caiu na risada.

Caio fechou os olhos durante um instante.

Depois também riu.

Aproximei-me.

— Alguns homens escrevem poemas. O senhor corteja por meio de aves aquáticas.

Ele estendeu a mão.

Não havia vergonha em seu rosto.

Segurei-a.

— Deixem que riam — declarou. — Prefiro ser ridículo ao lado dele do que respeitado ao lado de uma mentira.

A frase desmontou a última defesa que eu ainda carregava.

— Cuidado — murmurei. — Se continuar assim, talvez eu precise promover você de pato a cisne.

— Isso seria uma melhora?

— Um milagre administrativo.

Caio levou minha mão aos lábios e beijou meus dedos diante de todos.

Os mesmos nobres que haviam pedido minha morte descobriram grande interesse pelo teto.

Eu deveria ter feito uma piada.

Desta vez, não fiz.

Deixei que ele mantivesse minha mão entre as dele.

Durante três anos, Caio tentou transformar-me num exemplo.

No fim, conseguiu.

Só não como advertência contra magos.

Eu me tornei a prova viva de que aquele príncipe preferia grasnar ao lado da verdade do que reinar ao lado de uma mentira.

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