O nome dele era Augusto Farias, dono de grandes rebanhos no vale. Fora ele quem marcara o rosto de Helena, inventara a maldição e ordenara a Norberto que a exibisse na praça.
— Ele não queria que alguém me comprasse — explicou Helena. — Queria que ninguém oferecesse nada. Depois apareceria como o único homem disposto a me aceitar.
Bento sentiu a raiva subir, mas não fez promessas vazias.

— Aqui você dorme no quarto do sótão. Eu fico perto da porta. Ninguém entra sem passar por mim.
Nos dias seguintes, Helena mostrou que sabia cozinhar, remendar roupas e ler com facilidade. Seu pai fora professor, embora tivesse cedido às ameaças de Augusto quando ela tentou fugir.
Na sexta noite, Bento saiu para recolher lenha e encontrou três rastros recentes de cavalos contornando a casa.
Os homens não haviam se aproximado para atacar.
Tinham medido as janelas, observado o curral e descoberto onde Bento guardava os animais.
Ele entrou com o rifle nas mãos.
— Separe apenas o necessário.
Helena ficou pálida.
— Ele nos encontrou?
— Ainda não entrou. Mas sabe onde estamos.
Um galho se partiu do lado de fora.
Depois vieram cascos esmagando a neve.
— Helena! — gritou Augusto entre as árvores. — Saia dessa casa. Você ainda me pertence.
Bento colocou-se diante dela.
— Ela não pertence a ninguém.
Augusto riu e ordenou que seus homens cercassem a construção.
— Abra a porta, serrano, ou vou queimar tudo com vocês dentro.
Bento entregou um segundo rifle a Helena.
— Sabe usar?
Ela verificou a arma com movimentos seguros.
— Foi ele quem me ensinou. Nunca imaginou que eu poderia apontá-la de volta.
O primeiro disparo atravessou a janela, espalhando madeira e ar gelado pela sala.
Bento puxou Helena para o chão antes que um segundo tiro atingisse a parede.
A sala se encheu de lascas e fumaça.
Ele rastejou até a porta e respondeu por uma abertura entre as tábuas.
Um homem gritou do lado de fora.
Os outros recuaram para trás das árvores.
Helena se posicionou junto à parede lateral, onde a janela oferecia visão do pequeno curral.
Ela respirou fundo e esperou.
Um vulto correu em direção aos fundos da casa.
Helena acompanhou o movimento com a mira.
Quando a trava começou a subir, ela atirou através da madeira.
O invasor caiu antes de completar a entrada.
Por alguns segundos, apenas o vento se moveu.
Augusto quebrou o silêncio.
— Acha que esse homem pode ficar com o que é meu?
Helena encostou o ombro na parede.
— Eu nunca fui sua.
Bento olhou para ela.
Não havia hesitação em sua voz.
Augusto ordenou outra investida, mas seus homens já tinham perdido a coragem.
Um deles arrastava o companheiro ferido para um cavalo.
Outro disparou às cegas e acertou o telhado.
Bento respondeu perto da posição dele.
O cavalo se assustou, e o homem fugiu pela trilha.
Augusto permaneceu entre as árvores por alguns instantes.
Helena reconheceu sua silhueta mesmo sob a neve.
Ele não estava derrotado.
Estava calculando o próximo ataque.
— Isto não terminou — gritou ele.
Depois montou e desapareceu com os sobreviventes.
Bento esperou até o ruído dos cascos sumir.
Só então fechou a passagem quebrada com uma mesa pesada.
Helena continuava segurando o rifle.
As mãos dela começaram a tremer quando o perigo se afastou.
Bento aproximou-se devagar e abaixou o cano da arma.
— Você nos manteve vivos.
As lágrimas surgiram sem aviso.
— Ele sempre volta.
Bento observou a escuridão além da janela destruída.
— Então nós também continuaremos de pé.
A tempestade aumentou durante a madrugada.
Por três dias, a neve cobriu metade das paredes e bloqueou o caminho do vale.
Bento aproveitou o isolamento para reforçar as janelas e consertar a porta.
Helena limpou as armas e manteve os cartuchos separados perto do fogão.
Nenhum dos dois fingia que Augusto havia desistido.
Na segunda noite, Bento acordou ao ouvir um choro contido no sótão.
Ele chamou Helena sem subir a escada.
Depois de algum tempo, ela apareceu com os cabelos soltos sobre a cicatriz.
— Sonhei que ele entrava — disse ela. — Desta vez, não havia ninguém para me ajudar.
Bento colocou mais lenha no fogo.
— Augusto é feito de carne e medo, como qualquer homem.
— Você fala como soldado.
— Servi na cavalaria quando era mais jovem.
Helena sentou-se perto do fogão.
— Foi lá que deixou de sentir medo?
Bento balançou a cabeça.
— Não deixei. Aprendi que coragem é decidir enquanto o medo ainda está falando.
Ela ficou em silêncio.
Era a única frase parecida com conselho que ele lhe daria.
Na manhã seguinte, o céu abriu.
Bento saiu e encontrou novos rastros perto das árvores.
Agora eram cinco cavalos.
Eles tinham permanecido ali durante a tempestade, observando a casa entre as rajadas.
Bento mostrou as marcas a Helena.
— Na próxima vez, virão para terminar.
Ela analisou a direção dos rastros.
— Então não podemos ficar esperando.
Bento ergueu os olhos.
Helena conhecia a propriedade de Augusto melhor do que qualquer homem contratado por ele.
Sabia onde ficava o depósito de ração e quando os peões se recolhiam.
— Se ele perder a alimentação do rebanho, terá de proteger a fazenda — explicou. — Não poderá mandar todos para cá.
— Isso parece vingança.
— Parece liberdade.
Bento não respondeu imediatamente.
Queimar o depósito provocaria uma guerra aberta.
Porém, Augusto já havia disparado o primeiro tiro.
Naquela tarde, eles selaram os cavalos e desceram pela estrada da serra.
Helena não cavalgou atrás de Bento.
Seguiu ao lado dele, com o rifle preso às costas.
Chegaram ao vale quando a luz começava a desaparecer.
A propriedade de Augusto se estendia por campos congelados e cercas longas.
O casarão tinha telhas de barro e janelas iluminadas.
O depósito ficava afastado, perto dos currais.
Eles esconderam os cavalos entre as árvores.
Helena conduziu Bento por uma passagem onde a cerca estava quebrada.
Os peões permaneciam dentro das acomodações, protegidos do frio.
No depósito, pilhas de feno chegavam perto do teto.
Helena tirou uma pequena lamparina do casaco.
Seus dedos hesitaram ao acender o pavio.
Bento segurou sua mão.
— Depois disto, não haverá retorno.
Ela olhou diretamente para ele.
— Meu retorno acabou quando ele cortou meu rosto.
Helena derramou o óleo sobre o feno e deixou a chama cair.
O fogo começou pequeno.
Em poucos minutos, subiu pelas pilhas secas.
Eles já estavam entre as árvores quando os primeiros peões saíram gritando.
Baldes de água não conseguiram alcançar as chamas mais altas.
Augusto apareceu na varanda do casarão com o casaco aberto.
A luz do incêndio mostrou a fúria em seu rosto.
Ele caminhou até o centro do pátio e examinou a mata.
Helena teve a impressão de que Augusto podia enxergá-la.
— Ele sabe — murmurou.
— Sabe — respondeu Bento. — Agora terá de escolher onde gastar os homens.
Helena sentiu uma calma desconhecida.
Pela primeira vez, Augusto reagia a uma decisão dela.
Eles voltaram à serra antes do amanhecer.
Durante dois dias, nada aconteceu.
No terceiro, Bento percebeu o ataque pelo clarão refletido na neve.
Uma tocha havia caído sobre o telhado do curral.
Ele correu até o poço e chamou Helena.
Outras tochas surgiram da escuridão.
Cinco cavaleiros cercavam a casa.
— Você queimou o que era meu — gritou Augusto. — Agora vou queimar tudo o que escolheu.
Bento disparou perto dos cavalos para quebrar a formação.
Um animal empinou e derrubou o cavaleiro.
Helena despejou água sobre o telhado antes que o fogo se espalhasse.
Tiros atingiram as paredes da casa.
Bento segurou o braço dela e a puxou para dentro.
— Eles vão avançar juntos.
Helena carregou o rifle.
— Você ainda pode me entregar.
Ele se virou com expressão dura.
— Não abandono pessoas para facilitar a vida de homens cruéis.
Uma pancada abriu parte da porta.
Um peão atravessou a fumaça com a arma levantada.
Helena atirou primeiro.
O homem caiu no batente.
Outro tentou passar sobre ele.
Bento o atingiu e forçou os demais a recuar.
Augusto berrou ordens do lado de fora.
Seus homens já não obedeciam com a mesma rapidez.
Bento viu uma sombra avançando pelo pátio.
Era Augusto.
Ele carregava o rifle junto ao ombro.
Os dois dispararam quase ao mesmo tempo.
Bento sentiu o projétil raspar sua lateral e perdeu o equilíbrio.
O tiro dele atingiu o ombro de Augusto.
Augusto deixou o rifle cair, mas continuou em pé.
Atravessou a porta quebrada e puxou uma pistola.
— Isto termina hoje — rosnou.
Helena se colocou ao lado de Bento.
Augusto apontou a arma para ela.
— Você devia ter agradecido por eu permitir que continuasse viva.
Helena levantou o rifle.
— Foi esse o seu erro. Você confundiu sobrevivência com permissão.
Augusto tentou atirar.
Helena foi mais rápida.
O impacto o lançou para trás, sobre a neve.
Os homens restantes fugiram em direção ao vale.
Nenhum tentou recolher Augusto.
Helena saiu da casa e caminhou até ele.
O homem que controlara seu casamento, seu nome e seu rosto estava imóvel.
Não havia insulto em seus lábios.
Não havia ordem para obedecer.
Bento chegou ao lado dela, pressionando a própria lateral.
— Acabou.
Helena olhou para os rastros dos fugitivos.
— A perseguição dele acabou. As consequências ainda virão.
Eles levaram os corpos para longe da casa e os cobriram contra os animais.
Quando a estrada abrisse, alguém faria perguntas.
Naquela noite, Helena não chorou durante o sono.
Antes do amanhecer, ela desceu e encontrou Bento perto do fogão.
— Obrigada por me salvar.
Ele negou com a cabeça.
— Você salvou a si mesma.
Helena tocou a cicatriz.
— Durante anos, pensei que isto provava que eu estava arruinada.
— Prova que ele tentou destruir você e fracassou.
Uma semana passou sem novos cavaleiros.
Bento precisava de farinha e sal.
Helena insistiu em acompanhá-lo até o armazém próximo da bifurcação da estrada.
Dois cavalos desconhecidos estavam amarrados do lado de fora.
Dentro, três homens conversavam com o comerciante.
As roupas limpas e as armas cuidadas indicavam que não eram peões.
O mais alto se apresentou como Raul Tavares, delegado responsável pelas vilas da região.
— Bento Nogueira?
— Depende do motivo.
Raul olhou para Helena.
— Viemos por causa da morte de Augusto Farias.
Ela não recuou.
— Ele invadiu nossa casa com homens armados.
Raul tirou o chapéu e o segurou diante do corpo.
— Há testemunhas dizendo que vocês estiveram na fazenda quando o depósito queimou.
— Também existem paredes cheias de tiros na serra — respondeu Bento.
— Isso ajuda na legítima defesa. Não explica o incêndio.
Helena avançou um passo.
— Eu queimei o depósito.
Bento virou o rosto para ela.
Raul manteve a expressão neutra.
— Por quê?
— Para reduzir o número de homens que ele mandaria nos matar.
— Tem como provar que a ameaça já existia?
Helena descreveu o primeiro ataque, os rastros e a tentativa de incendiar o curral.
Um dos homens de Raul disse que Augusto tinha muitos inimigos.
Outro conhecia histórias sobre trabalhadores espancados na propriedade.
Raul suspirou.
— O problema é que homens poderosos continuam tendo amigos depois de morrer.
Bento apoiou a mão perto do cinto.
— Pretende prendê-la?
— Pretendo investigar antes que alguém com dinheiro compre outra versão.
Raul então revelou o risco maior.
Otávio Farias, irmão de Augusto, oferecia quinhentos mil-réis pela mulher responsável pela morte.
— Não vim buscar recompensa — esclareceu Raul. — Outros virão.
Helena sentiu o mesmo frio da praça.
Outra vez, um homem colocava preço sobre seu corpo.
A diferença era que ela não estava amarrada.
— Deixe que venham — respondeu.
Raul colocou o chapéu.
— Mantenham as armas limpas. E não escondam os homens mortos quando eu subir.
Bento e Helena retornaram pela estrada sem conversar muito.
Ao alcançar a subida, ela quebrou o silêncio.
— Nunca termina.
— Termina, sim — disse Bento. — O que muda é o preço cobrado antes disso.
Três semanas se passaram.
O inverno começou a perder força, e a água voltou a correr sob o gelo.
Helena estava perto da casa quando ouviu um disparo distante.
Bento havia saído para verificar as armadilhas na encosta.
Um segundo tiro ecoou entre as árvores.
Ela pegou o rifle, montou e seguiu o som.
Encontrou Bento atrás de um tronco caído.
Um ferimento na coxa dificultava seus movimentos.
Dois caçadores de recompensa ocupavam o outro lado da clareira.
Um deles mantinha o braço ferido junto ao peito.
O segundo gritava insultos para provocar Bento.
— Quinhentos mil-réis valem mais do que a vida dela!
Helena desceu do cavalo atrás de uma pedra.
— Ainda consegue atirar? — perguntou.
— Consigo errar bem perto deles.
Bento disparou contra o tronco usado como cobertura.
O caçador se abaixou e concentrou toda a atenção nele.
Helena rastejou pela vegetação úmida, contornando a clareira.
Surgiu atrás do homem sem ser percebida.
— Vire devagar.
Ele girou com a arma na mão.
Helena atingiu sua cabeça com a coronha antes que completasse o movimento.
O outro caçador montou e fugiu, ainda protegendo o braço.
Ela correu até Bento.
O ferimento sangrava bastante, mas o projétil não parecia preso no osso.
Helena rasgou parte da saia e apertou o tecido sobre a coxa.
— Veio sozinha — murmurou ele.
— Você faria o mesmo.
Ela o colocou sobre o cavalo e conduziu os dois animais até a casa.
Durante dois dias, Helena limpou o ferimento, ferveu água e manteve Bento alimentado.
Na segunda noite, a chuva bateu sobre as telhas de barro.
Bento observou Helena trocar o curativo.
— Você poderia partir enquanto ainda consegue.
Ela não levantou os olhos.
— Para onde?
— Leste, talvez. Pegue dinheiro, encontre outra vida e use outro nome.
Helena terminou o nó do curativo.
— Passei anos querendo uma vida nova. Agora quero a vida que escolhi.
Bento estudou o rosto dela.
A cicatriz já não parecia algo que precisasse ser ignorado.
Era apenas parte de Helena.
— Tem certeza de que esta vida vale o risco?
Ela se sentou perto dele.
— Naquela praça, todos viram um saco cobrindo uma vergonha.
Bento permaneceu quieto.
— Você foi o único que percebeu que eu ainda estava de pé — continuou Helena. — Não vou fugir da primeira casa onde pude escolher ficar.
Bento segurou a mão dela.
Não fez promessa de proteção eterna.
Depois do que viveram, ambos sabiam que tal promessa seria mentira.
Prometeram enfrentar juntos aquilo que viesse.
Quando Bento conseguiu voltar a caminhar, Raul apareceu na casa com dois homens.
Examinou as marcas dos tiros, a porta quebrada e os restos queimados do curral.
Também encontrou cartuchos pertencentes às armas dos homens de Augusto.
Os peões sobreviventes já tinham prestado depoimento.
Nenhum aceitou mentir pelo irmão do antigo patrão.
Augusto havia prometido pagamento, mas estava morto e endividado.
Raul anunciou que a morte seria registrada como legítima defesa.
Helena responderia pelo incêndio, porém os ataques anteriores seriam considerados.
A punição acabou limitada ao pagamento dos danos comprovados.
A propriedade de Augusto já devia mais do que valia.
Otávio retirou a recompensa quando percebeu que herdaria dívidas e inimigos.
Sem dinheiro oferecido, os caçadores desapareceram.
No fim do inverno, pequenas flores nasceram perto do riacho.
Bento ainda mancava quando acompanhou Helena até a água.
— Algum arrependimento? — perguntou ela.
— Sobre o quê?
— Sobre ter pago trinta mil-réis por uma mulher coberta com um saco.
Ele fingiu pensar.
— Eu precisava de ajuda durante o inverno. Acabei comprando problemas.
Helena riu.
Era a primeira risada leve que Bento ouvia desde a praça.
— Então por que não me mandou embora?
— Porque os problemas começaram a melhorar minha pontaria.
Ela empurrou o ombro dele com cuidado.
Depois ficaram olhando a água correr entre as pedras.
— Você nunca me pediu em casamento — disse Helena.
Bento perdeu o sorriso.
— Imaginei que já tivesse ouvido essa palavra vezes demais.
— Da boca errada.
Ele se virou para ela.
Helena não esperava ser escolhida por um homem.
Queria escolher também.
Bento segurou suas mãos.
Não havia padre, festa ou convidados na encosta.
Havia apenas a casa, o riacho e duas pessoas sem correntes entre elas.
Eles fizeram uma promessa simples.
Sem dívida, sem posse e sem obediência comprada.
Quando o verão chegou, Bento recuperou quase toda a força da perna.
A antiga propriedade de Augusto foi dividida para pagar credores e trabalhadores.
Nenhum dos irmãos Farias voltou a controlar o vale.
Certa tarde, um mensageiro trouxe uma carta da vila.
O conselho local reconhecia que Helena havia sido acusada sem provas.
O documento declarava inválido qualquer direito que Augusto alegara possuir sobre ela.
Helena leu cada linha perto do fogão.
Bento imaginou que ela guardaria a carta.
Em vez disso, Helena aproximou o papel da chama.
— Passei tempo demais esperando que aquela vila confirmasse que eu era inocente.
O fogo consumiu primeiro a assinatura.
— Não preciso da permissão deles para saber quem sou.
Bento observou as cinzas caírem.
— Nunca precisou.
Anos depois, viajantes ainda contavam histórias sobre o casal que vivia na serra.
Falavam de Bento, o homem alto que escutava antes de decidir.
Falavam ainda mais de Helena.
Ela cavalgava pela vila com o rosto descoberto e o queixo erguido.
Ninguém voltou a chamá-la de amaldiçoada diante dela.
Alguns diziam que Bento comprara uma mulher rejeitada e a salvara.
Quem conhecia a história inteira sabia que isso era apenas metade da verdade.
Helena salvara Bento na clareira.
Também salvara a casa, enfrentara Augusto e escolhera permanecer quando poderia fugir.
O saco de estopa não foi jogado fora.
Helena o cortou, costurou suas partes e fez uma bolsa para guardar sementes.
Toda primavera, ela levava aquela bolsa até a terra perto do riacho.
O tecido que antes escondera seu rosto passou a carregar aquilo que ela desejava ver crescer.
Bento nunca mais falou dos trinta mil-réis.
Helena nunca mais pediu que alguém acreditasse que não era amaldiçoada.
Quando passava pela velha bolsa pendurada na varanda, ela apenas erguia o queixo e seguia com o rosto descoberto.