Ela Tentou Ser Vilã, Mas Cada Maldade Salvava o Homem Que a Amava-Neyney

Elisa segurou minhas mãos e contou que o médico confirmara tudo: sem o resfriamento imediato, a insolação poderia ter causado uma lesão neurológica permanente.

— Eu não salvei você — protestei. — Eu a empurrei porque sou má.

Rafael se encostou na parede, cruzou os braços e deixou escapar um sorriso que tentou esconder.

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— Ela realmente é única — disse ele.

Resolvi confessar meu crime principal.

— Entrei aqui para roubar as roupas dele e deixá-lo nu quando você chegasse.

Elisa olhou para o roupão de Rafael, depois para meu cabelo bagunçado e para a porta quebrada.

Seu rosto ficou vermelho.

— Entendi. Vocês estavam fazendo uma encenação de casal.

— Não existe casal nenhum! — gritei.

Ela já recolhia os relatórios do chão.

— Desculpem a interrupção. Podem continuar com a… vilania.

Elisa saiu quase saltitando e fechou a porta.

O silêncio ficou pesado.

Rafael caminhou até mim enquanto eu recuava contra a janela.

— Você ainda foge depois de virar minha vida de cabeça para baixo — murmurou.

— Tenho faixa-preta em pilates.

Ele parou a poucos centímetros e afastou uma mecha do meu rosto.

— Você não mudou desde o colégio.

Meu coração tropeçou.

— Você se lembra daquele beijo?

— Como eu esqueceria? — Rafael respondeu. — A garota por quem eu era apaixonado me beijou, tentou escapar e desapareceu por cinco anos.

Antes que eu entendesse aquela revelação, o sistema voltou com um aviso urgente.

Naquela noite aconteceria o evento anual da empresa.

Minha nova missão seria humilhar Rafael diante dos investidores, destruir um contrato milionário e empurrar Elisa para os braços de um executivo rival.

Saí da casa carregando meu único sapato na mão e com a cabeça cheia de perguntas.

Rafael me chamou da porta.

— Camila.

Não tive coragem de olhar para trás.

— Vejo você hoje à noite — respondi, sem saber por que fiz aquela promessa.

O sistema comemorou como se eu tivesse jurado destruir um império.

Na verdade, eu só tentava entender como Rafael podia ter gostado de mim durante todos aqueles anos.

O beijo do colégio sempre fora lembrado como mais uma prova da minha natureza problemática.

Eu tropeçara quando Rafael estava encostado perto do corredor da quadra.

Minha boca bateu na dele.

Quando tentei levantar, ele segurou minha cintura e me beijou de novo.

Eu interpretei aquilo como pânico, confusão ou algum reflexo estranho.

Depois fugi antes que alguém pudesse me culpar por mais um desastre.

Rafael, aparentemente, passou cinco anos acreditando que eu o havia abandonado.

O sistema interrompeu meus pensamentos.

— Concentre-se. Você precisa escolher o vestido mais constrangedor possível.

Entrei numa loja e encontrei um longo vermelho de seda numa arara de descontos.

O tecido abraçava meu corpo e tinha uma fenda lateral elegante.

— Este é horrível — declarei diante do espelho.

O sistema demorou para responder.

— Pedi o vestido mais feio, não uma peça feita sob medida para transformar você numa ameaça diplomática.

— Estava em promoção.

Era mentira.

Minha beleza simplesmente se recusava a colaborar com qualquer plano de humilhação.

O evento acontecia num salão reservado de um hotel empresarial.

Havia luzes quentes, arranjos discretos e garçons circulando com taças.

Rafael conversava com investidores perto do palco.

Ele usava um terno preto de corte impecável.

Elisa estava próxima, com uma roupa azul-clara e os relatórios que levara à casa dele.

Peguei uma taça cheia de vinho tinto.

O plano exigia que eu destruísse o contrato durante o discurso de Rafael.

A pasta de couro estava sobre uma mesa lateral, perto do púlpito.

Caminhei até ela com minha melhor expressão maligna.

As pessoas abriram espaço.

Algumas cochicharam, perguntando quem eu era.

— Tremam diante da minha presença — murmurei.

O sistema suspirou.

Rafael me viu.

Por um instante, esqueceu a conversa ao redor.

Os olhos dele percorreram o vestido e voltaram para meu rosto.

O calor daquele olhar quase me fez abandonar o plano.

Quase.

Ergui a taça e me preparei para tropeçar de propósito.

Nesse momento, um homem de terno cinza avançou para a pasta.

Meu salto prendeu no tapete.

— Estou caindo de maneira totalmente inesperada — anunciei.

O vinho voou.

O homem tentou proteger o rosto e perdeu o equilíbrio.

O líquido o atingiu diretamente.

Ele soltou a pasta, recuou e esbarrou num garçom com uma bandeja de espumante.

Taças caíram e o salão inteiro se virou.

Rafael chegou antes que o homem recuperasse a postura.

— Segurança.

Dois funcionários o imobilizaram.

Um pequeno dispositivo prateado caiu do bolso do suspeito.

Um diretor reconheceu o objeto.

— É João, do financeiro. Esse dispositivo contém dados do nosso protótipo.

João tentara trocar os arquivos enquanto todos prestavam atenção no discurso.

Minha taça impedira o roubo.

Rafael ficou imóvel por um segundo.

Depois mandou preservarem o dispositivo e chamarem as autoridades.

O sistema gemeu dentro da minha cabeça.

— Diga que você não acabou de impedir uma sabotagem empresarial.

— Eu estava tentando destruir o contrato — respondi mentalmente.

Elisa correu até mim.

— Você viu quando ele avançou e usou o vinho para cegá-lo.

— Eu tropecei.

— Foi brilhante.

Algumas pessoas começaram a aplaudir.

Outras repetiram que meus reflexos tinham salvado um projeto inteiro.

Eu fiquei parada com a taça vazia e um sorriso cada vez mais rígido.

— Sou uma encrenqueira — declarei. — Não uma heroína.

Ninguém acreditou.

Rafael se aproximou mantendo sua expressão profissional.

Apenas os olhos denunciavam o orgulho.

— Parece que devo o futuro da empresa a você, senhorita Camila.

Ele retirou a taça da minha mão e a entregou a um garçom.

Depois ofereceu o braço.

— Aceita dançar como agradecimento?

Minha cabeça ordenou que eu recusasse.

Minha mão se acomodou no braço dele.

— Só uma dança. Preciso planejar sua destruição de perto.

— Aguardo com interesse.

Rafael me conduziu até o centro do salão.

A música era lenta e os outros convidados mantiveram distância.

A mão dele pousou na minha cintura.

Era o mesmo ponto onde me segurara no colégio.

— Você está deslumbrante — ele disse perto do meu ouvido.

Pisei com força no sapato dele.

Rafael contraiu o rosto, mas não me soltou.

— Isso foi por me chamar de gata perdida.

— Justo.

Ele riu baixo.

Meu corpo reagiu de uma maneira profundamente inconveniente para uma vilã.

— Você tem o hábito de aparecer, virar tudo de cabeça para baixo e fugir — disse Rafael.

— É o trabalho de uma antagonista.

— Então está fazendo um péssimo trabalho.

Levantei o rosto, ofendida.

— Hoje tentei estragar seu contrato.

— E salvou a empresa.

— Invadi sua casa.

— Voltou para minha vida.

— Joguei sua prima num lago.

Rafael arqueou uma sobrancelha.

— Elisa é minha prima.

Parei de dançar.

— Sua o quê?

— Prima.

O salão continuou girando ao nosso redor.

Na minha cabeça, todas as instruções do sistema começaram a desmoronar.

Elisa jamais fora o interesse romântico de Rafael.

Ela trabalhava na empresa para aprender a administração da família.

O sistema me colocara contra uma rival que nunca existira.

Rafael percebeu minha confusão.

— Quem disse que Elisa e eu formávamos um casal?

— Fontes confiáveis.

— Essa fonte imaginária também mandou você roubar minhas roupas?

— Informação confidencial.

Ele sorriu.

Depois ficou sério.

— Camila, você poderia incendiar minha casa, e eu perguntaria primeiro se estava com frio.

Meu coração bateu com tanta força que quase doeu.

— Isso não é uma reação normal.

— Procurei você durante cinco anos.

— Por quê?

— Porque nunca deixei de amar a garota que me beijou e fugiu antes de ouvir minha resposta.

A sinceridade nos olhos dele tornou impossível transformar aquilo numa piada.

O sistema entrou em pânico.

— Protocolo de emergência. Sequestre Elisa e fuja.

A ordem era tão absurda que pareceu minha única saída.

Afastei-me de Rafael antes que ele pudesse me beijar.

Encontrei Elisa perto do bufê, escolhendo salgadinhos.

Agarrei a mão dela.

— Há uma bolsa de edição limitada na área externa.

Elisa me acompanhou imediatamente.

Levei-a até meu carro, abri a porta e esperei que ela se sentasse.

Depois entrei, travei as portas e saí do estacionamento.

— Agora você é minha refém — anunciei.

Elisa ajustou o cinto.

— Parece divertido. Para onde vamos?

— Rafael deverá pagar US$ 10 milhões e fornecer salgadinhos apimentados pelo resto da vida.

— Devo mandar uma mensagem com o sabor preferido?

— Reféns não ajudam com o próprio resgate.

Dirigi até um galpão desativado numa zona industrial.

O lugar tinha paredes altas, cheiro de poeira e marcas de pneus antigos.

Preparei uma manta, duas cadeiras dobráveis e uma caixa térmica.

Até sequestros exigiam hidratação adequada.

Elisa abriu um pacote de salgadinhos e me ofereceu um suco.

— Então, você e Rafael…

— Não existe nada entre nós.

Perfurei a caixinha com força demais e entortei o canudo.

— Eu deveria separar vocês.

Elisa riu.

— Camila, Rafael é meu primo.

O suco escorregou da minha mão.

— Você está confirmando isso outra vez?

— Ele é filho do irmão do meu pai.

Elisa explicou que Rafael passara cinco anos mal-humorado, distante e obcecado pelo passado.

Ele vivia trabalhando e olhando pela janela como alguém abandonado numa novela.

Naquela manhã, ao me encontrar escondida na cortina, parecera vivo pela primeira vez.

Chamei o sistema aos gritos dentro da minha cabeça.

Uma pequena projeção surgiu diante de nós.

O sistema parecia um rapaz de desenho animado, nervoso e incapaz de sustentar meu olhar.

Elisa observou a figura luminosa com curiosidade.

— Quem é seu amigo?

— Um mentiroso profissional.

Apontei para a projeção.

— Você disse que ela era a protagonista feminina.

— Tecnicamente, Elisa é protagonista da própria vida.

— Você disse que eu era uma vilã nata.

O sistema baixou os ombros.

— Certo. Não sou um sistema de vilania.

— Então o que você é?

— Um sistema de encontros.

O silêncio no galpão ficou absoluto.

— Repita.

— Modelo de reparação de arrependimento e compatibilidade romântica.

O arrependimento de Rafael atingira um nível capaz de ativar a rede do sistema.

Ele queria me encontrar, mas nunca descobriu para onde eu fora depois do colégio.

O sistema analisou meu perfil e percebeu que eu fugiria de qualquer missão romântica.

Por isso, transformou cada encontro numa suposta tarefa criminosa.

— Você me enganou para me aproximar dele?

— Era o único método com chance de sucesso.

— E minhas provas de maldade?

— Você pediu desculpas para a cadeira quebrada depois que o menino caiu.

O sistema cruzou os braços.

— Também tentou salvar aquela merenda da barata. Você não consegue ser má, Camila.

— Sou devastadoramente bonita.

— Isso nunca esteve em discussão.

Elisa abafou uma risada.

O sistema continuou.

— Você é uma pessoa boa com estética de garota perigosa e talento para criar caos.

— Quero cancelar minha inscrição.

— Tarde demais. Missão concluída.

A projeção começou a desaparecer.

— Tenha uma ótima vida, futura senhora diretora.

— Volte aqui!

Ele sumiu.

Fiquei olhando para o espaço vazio.

Toda a identidade que eu tentara construir desabou em poucos segundos.

Eu não era a antagonista temida por todos.

Era apenas uma mulher que passara a vida sendo interpretada da pior maneira.

Às vezes, uma mentira repetida por muitos anos parece uma personalidade.

Elisa colocou outro pacote de salgadinhos no meu colo.

— Para ser justa, seu sequestro está muito confortável.

Antes que eu respondesse, as portas metálicas do galpão se abriram.

Faróis atravessaram a poeira.

Um utilitário escuro entrou e parou bloqueando a saída.

Quatro homens desceram usando máscaras e carregando barras de metal.

O líder bateu a barra contra a mão.

— João foi descoberto, mas conseguiu rastrear a prima do diretor até aqui.

Elisa largou o pacote.

— Acho que eles não estão fazendo encenação.

Os homens queriam usá-la para pressionar Rafael e obter acesso aos dados da empresa.

Pela primeira vez, havia vilões verdadeiros diante de mim.

Senti medo.

Depois senti algo mais forte.

Eles avançavam na direção de Elisa, que se escondeu atrás do meu ombro.

Peguei uma tábua solta de um estrado quebrado.

O vestido vermelho se moveu com a corrente de ar do galpão.

Dei um passo à frente.

— Vocês têm cinco segundos para sair.

Minha voz soou mais fria do que eu esperava.

Os homens pararam.

— Escute, moça — começou o líder.

— Quatro.

Apertei a tábua entre as mãos.

— Você acha que é perigosa? — ele perguntou.

— Roubei a merenda de uma criança quando tinha oito anos.

Elisa cochichou atrás de mim.

— Você jogou fora por causa da barata.

— Estou construindo uma reputação.

Dei outro passo.

— Também arrombei a casa de um empresário hoje de manhã.

Os homens trocaram olhares confusos.

— Três.

O líder ergueu a barra.

— Saia da frente.

— Ela é minha refém. Arrumem a própria.

Elisa segurou meu braço.

Eu mantive o sorriso.

— Se alguém avançar, transformarei seus joelhos em objetos decorativos.

O barulho de pneus interrompeu a contagem.

Um carro esportivo entrou de lado e fechou a outra saída.

A porta se abriu.

Rafael desceu sem paletó, com a gravata solta e as mangas dobradas.

O rosto dele não tinha nada da calma exibida no evento.

Seus olhos encontraram Elisa.

Depois me encontraram diante dela.

O líder tentou agarrar meu braço.

Rafael cruzou a distância antes que eu pudesse erguer a tábua.

Ele segurou o homem pela gola e o jogou contra o capô do utilitário.

Dois outros avançaram.

Rafael desviou da primeira barra e acertou o agressor no queixo.

O terceiro tentou atacá-lo pela lateral.

Rafael derrubou suas pernas com um chute.

O último homem soltou a barra e correu pela abertura entre os carros.

Tudo acabou em menos de meio minuto.

Os três ficaram gemendo no chão.

Rafael nem olhou para eles novamente.

Caminhou diretamente até mim.

Seu peito subia depressa.

— Você está machucada?

As mãos dele pairaram sobre meus ombros, como se tivesse medo de tocar numa lesão invisível.

— Eu estava controlando a situação.

Soltei a tábua.

— Já tinha chegado ao número três.

Rafael soltou um som entre riso e choro.

Depois me puxou contra o peito.

Os braços dele se fecharam ao redor da minha cintura com tanta força que meus pés quase deixaram o chão.

Ele escondeu o rosto no meu pescoço.

— Nunca faça isso novamente.

A voz dele tremia.

— Quando vi que seu carro havia sumido, pensei que tivesse perdido você outra vez.

Fiquei rígida por alguns segundos.

Depois abracei seus ombros.

O coração de Rafael batia tão rápido quanto o meu.

— Desculpe.

Respirei fundo.

— Mas tecnicamente sequestrei sua prima. Ainda exijo um resgate.

Rafael se afastou apenas o suficiente para olhar nos meus olhos.

Toda a frieza desaparecera.

— Diga o preço.

— Você não deveria aceitar tão depressa.

— Dinheiro, empresa ou minha vida. Tudo já era seu.

Elisa fez um ruído emocionado perto da manta.

Ignorei.

— Quero os salgadinhos apimentados para sempre.

Rafael assentiu com seriedade.

— Concedido.

— E talvez um encontro verdadeiro.

— Sem arrombamentos?

— Não faça exigências abusivas.

Ele sorriu.

Foi um sorriso inteiro, aberto e diferente de todos os anteriores.

— Fechado, minha linda vilã.

Rafael me beijou.

Não foi um acidente como no colégio.

Também não foi um beijo roubado durante uma tentativa de fuga.

Foi lento, decidido e cheio dos cinco anos que nenhum dos dois soubera explicar.

A mão dele se firmou na minha cintura.

Dessa vez, eu não tentei escapar.

Atrás de nós, Elisa aplaudiu enquanto ligava para pedir ajuda e relatar os agressores.

Os homens no chão reclamaram do barulho.

Ninguém lhes deu atenção.

Mais tarde, João e seus comparsas foram responsabilizados pela tentativa de roubo e pelo ataque no galpão.

Os dados da empresa permaneceram seguros.

Elisa transformou meu falso sequestro numa história repetida em todos os encontros familiares.

Rafael cumpriu a promessa dos salgadinhos com uma dedicação desnecessariamente literal.

Caixas começaram a chegar à minha porta toda semana.

Demorei mais para aceitar outra verdade.

Passei a infância acreditando que cada mal-entendido provava que havia algo errado comigo.

Meus pais, professores e colegas escolheram versões fáceis das minhas ações.

Eu aceitei aquelas versões porque pareciam explicar por que todos sempre iam embora.

Rafael não apagou essa ferida com um beijo.

Ele fez algo mais difícil.

Ficou.

Quando eu errava, perguntava o que realmente acontecera antes de me condenar.

Quando eu provocava confusão, não fingia que tudo era perfeito.

Apenas não transformava um erro numa sentença sobre quem eu era.

Elisa fez o mesmo.

Pela primeira vez, tive pessoas interessadas na verdade, não na reputação que construíram para mim.

Nunca me tornei uma grande antagonista.

Não destruí contratos, não roubei empresas e meu único sequestro terminou num piquenique com suco de caixinha.

Mesmo assim, ainda havia um detalhe importante.

Eu invadira a vida do homem mais frio que conhecia, bagunçara todos os planos dele e roubara algo valioso.

O coração de Rafael nunca voltou para o lugar anterior.

Ele dizia que isso me tornava a única vilã bem-sucedida da história.

Eu fingia discordar enquanto aceitava mais um pacote de salgadinhos.

No fim, a palavra usada para me acusar virou o apelido dito por alguém que finalmente conhecia toda a verdade.

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