Ela Perseguiu o Homem Errado — E Ele Guardou Cada Mensagem-Neyney

Renata saiu sem se despedir, mas lançou a Marina um olhar que prometia transformar aquele constrangimento em alguma coisa muito pior.

Sozinha no escritório, Marina viu um pequeno guaxinim de cerâmica no centro da mesa.

Era a lembrança horrorosa que ela entregara a Rafael durante um encontro rápido, semanas antes, certa de que ele a jogaria no lixo.

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Ela estendeu a mão para retirar a peça.

A porta se abriu.

— O que você está fazendo? — Rafael perguntou.

Marina ficou parada com os dedos sobre o guaxinim.

— Achei que fosse meu.

— Você me deu.

— Eu pensei que não quisesse.

— Por isso decidiu invadir meu escritório e levar a decoração da minha mesa?

Ela recolocou a peça entre o porta-canetas e a pasta de couro.

Rafael se sentou, deixando o guaxinim entre os dois como um mediador absurdamente feio.

O pulso esquerdo dele estava vazio.

— Sobre as mensagens — ele começou.

Marina quase derrubou a cadeira.

— Eu peço desculpas por todas. Pelos bons-dias, pelos memes, pelo relógio e pelo convite em que escrevi que você não resistiria ao meu charme.

— Você achou que as mensagens estavam me incomodando?

— Suas respostas pareciam notificações de cobrança.

Rafael apoiou as mãos sobre a mesa.

— Eu falei para não fazer aquilo novamente por causa do relógio.

— Qual é a diferença?

— O relógio era caro demais.

Marina observou o rosto dele, procurando ironia.

Não encontrou.

— Então você não estava mandando que eu parasse de escrever?

Rafael olhou para o guaxinim, depois para ela.

— Eu não pedi que você parasse. Falei do relógio.

Marina levou alguns segundos para compreender o tamanho exato daquela resposta.

Os comentários flutuantes surgiram diante dela ao mesmo tempo.

Eles também pareciam confusos.

— Você respondeu apenas recebido quando mandei uma foto do vestido que usaria no nosso jantar imaginário — ela disse.

— Eu estava numa reunião com doze pessoas.

— Depois escreveu anotado.

— Eu realmente anotei.

— Ninguém responde anotado para uma mulher que acabou de dizer que está bonita.

Rafael inclinou levemente a cabeça.

— Eu não sabia que precisava responder sobre o vestido.

— Precisava responder sobre mim.

Ele desviou os olhos por um instante.

Foi a primeira reação verdadeiramente incerta que Marina viu naquele homem.

— Eu também não sabia como fazer isso — ele disse.

A confissão foi tão baixa que poderia ter desaparecido entre o ar-condicionado e o ruído distante dos elevadores.

Marina se aproximou um pouco da mesa.

— Você administra hotéis, negocia terrenos e enfrenta investidores, mas não sabe responder a um bom-dia?

— Essas coisas não são parecidas.

— Em uma delas, você poderia ter usado mais de duas palavras.

O canto da boca dele ameaçou se mover.

Não chegou a ser um sorriso.

Foi pior para o equilíbrio emocional de Marina.

Ela apontou para o guaxinim.

— Por que isso está no centro da mesa?

— Porque você me deu.

— Essa resposta não explica nada.

— Explica o suficiente.

— Rafael, essa peça parece ter sido pintada durante um apagão.

— Eu sei.

— Eu a comprei porque achei engraçada.

— Eu também sei.

— Então por que guardou?

Ele passou o polegar pela borda da pasta de couro.

— Porque você riu quando colocou isso na minha mão.

Marina se lembrou daquele encontro no estacionamento do edifício.

Ela encontrara Rafael por acaso, entrou em pânico e ofereceu o guaxinim que carregava numa sacola.

Dissera que ele precisava de alguma coisa feia para equilibrar o excesso de elegância.

Depois fugira antes de ouvir a resposta.

Os comentários classificaram aquilo como um desastre irreversível.

Agora, a prova do desastre ocupava o espaço mais visível da mesa.

— Eu realmente achei que você tivesse jogado fora — ela disse.

— Percebi quando tentou roubá-lo.

— Eu estava eliminando evidências.

— De quê?

— Da minha falta de bom senso.

Dessa vez, Rafael sorriu.

Foi um movimento discreto, quase contrariado.

Ainda assim, aconteceu.

Marina sentiu os comentários explodirem diante dos olhos.

Ela os ignorou.

— Renata sempre entra aqui sem bater? — perguntou.

O sorriso desapareceu.

— A família dela tem negócios antigos com o grupo.

— Ela possui o código do elevador privativo.

— Várias pessoas possuem.

— Ela parecia acreditar que possuía você também.

Rafael sustentou o olhar de Marina.

— Ela acredita em muitas coisas que nunca confirmei.

Marina apertou os dedos contra a lateral da cadeira.

— Talvez seja bom esclarecer isso.

— Você está me aconselhando sobre comunicação?

— Justo.

Os dois permaneceram em silêncio.

Não era um silêncio decorativo.

Era o intervalo de duas pessoas percebendo que haviam entendido tudo errado por motivos completamente diferentes.

Às vezes, o constrangimento só muda de nome quando alguém decide não fugir.

Rafael quebrou o intervalo primeiro.

— Seu pai organizou o jantar de encerramento do projeto para sexta-feira.

— Eu sei.

— Você irá?

— Pretendia desenvolver uma doença repentina.

— Não faça isso.

— Foi um pedido profissional?

— Não.

A resposta veio sem hesitação.

Marina sentiu o coração bater com força inconveniente.

— Então o que foi?

Rafael olhou novamente para o guaxinim.

— Ainda não sei responder direito.

Ela se levantou antes que o próprio rosto revelasse mais do que desejava.

Rafael acompanhou o movimento.

— Marina.

— Sim?

— Pode continuar usando meu nome.

— Pensei que estivéssemos mantendo tudo profissional.

— Foi você quem começou a me chamar de senhor Monteiro.

— Eu estava tentando sobreviver.

— Pare de tentar tanto.

Marina deixou o escritório segurando a pasta vazia contra o peito.

Ao atravessar o corredor, encontrou Renata perto do elevador privativo.

A mulher segurava o celular e fingia não estar esperando por ela.

— Conseguiu o que queria? — Renata perguntou.

— Entreguei os documentos.

— Não estava falando dos documentos.

Marina poderia ter respondido.

Pela primeira vez naquele mês, decidiu não transformar o medo em explicação.

— Tenha uma boa tarde, Renata.

Ela apertou o botão do elevador comum.

Renata observou as portas se fecharem com uma expressão que não combinava com derrota silenciosa.

Na cafeteria, Camila ouviu o relato inteiro sem tocar no próprio café.

— Ele guardou o guaxinim?

— No centro da mesa.

— E não pediu que você parasse de mandar mensagens?

— Ele reclamou do preço do relógio.

— Marina, esse homem está apaixonado por você.

— Foi exatamente esse tipo de conclusão que iniciou o problema.

— Desta vez existem provas.

— Uma peça de cerâmica feia não é prova.

— Para um homem como Rafael, talvez seja uma declaração pública.

Marina recusou-se a acreditar.

Os comentários concordaram com Camila.

Isso tornou tudo ainda menos confiável.

Durante a semana, Marina executou o que chamou de Operação Comportamento Impecável.

Escolheu um vestido azul-marinho discreto para o jantar.

Preparou perguntas sobre o projeto.

Treinou diante do espelho a expressão senhor Monteiro sem rir ou parecer culpada.

Também bloqueou o número de Rafael por oito minutos.

Depois desbloqueou, temendo que ele precisasse tratar dos documentos.

Nenhuma mensagem chegou na primeira noite.

Na segunda manhã, ela acordou e encontrou apenas duas palavras.

— Bom dia.

Marina ficou olhando para a tela.

Era a primeira vez que Rafael iniciava uma conversa.

Os comentários enlouqueceram.

Ela respondeu com o mesmo cuidado usado por quem desarma um objeto suspeito.

— Bom dia.

Um minuto depois, outra mensagem apareceu.

— Só isso?

Marina sentou-se na cama.

— Estou tentando combinar com sua energia.

A resposta demorou menos de dez segundos.

— Não recomendo.

Ela riu sozinha.

Durante os dias seguintes, Rafael não se tornou subitamente falante.

Ele apenas começou a fazer perguntas.

Perguntou se ela já havia almoçado.

Perguntou se a reunião com o fornecedor terminara bem.

Perguntou por que Camila considerava o guaxinim uma prova romântica.

Marina não quis saber como ele conhecia aquela opinião.

Provavelmente, ela mesma havia contado em algum texto noturno que não lembrava ter enviado.

Na sexta-feira, o jantar aconteceu num salão reservado do hotel recém-reformado.

Havia luzes quentes, arranjos baixos e executivos tentando parecer relaxados depois de meses de negociação.

Augusto Duarte, pai de Marina, estava perto do bar conversando com Rafael.

Ele avistou a filha e acenou com entusiasmo excessivo.

— Marina, você se lembra do Rafael?

— Senhor Monteiro — ela respondeu.

O maxilar de Rafael se moveu.

— Marina — ele disse.

Augusto percebeu o tom familiar e sorriu como alguém que acabara de descobrir uma oportunidade paralela ao contrato.

— Vou deixar vocês conversarem.

Ele desapareceu antes que a filha pudesse impedi-lo.

Rafael esperou até ficarem sozinhos.

— Senhor Monteiro outra vez?

— É um jantar de trabalho.

— Você me enviou um meme chamando-me de futuro marido decorativo às duas da manhã.

Marina sentiu o rosto aquecer.

— Naquele momento, eu estava equivocada.

— Estava?

A pergunta não soou como provocação.

Soou como uma dúvida real.

Antes que ela respondesse, o microfone anunciou o início do jantar.

Rafael ofereceu o braço.

Marina olhou para ele.

— Isso também é profissional?

— Ainda estou tentando responder direito.

Ela aceitou.

Renata estava sentada numa mesa diretamente voltada para eles.

Seu sorriso desapareceu quando viu Marina ocupar a cadeira ao lado de Rafael.

Durante a entrada, Rafael discutiu licenças e cronogramas com Augusto.

Marina tentou prestar atenção.

Renata tentou ser vista.

Quando percebeu que Rafael não reagiria, ela se levantou e aproximou-se da mesa.

— Rafael, espero que sua cadeira não esteja longe demais do palco — disse. — Eu poderia ter providenciado algo melhor.

— Estou confortável.

Ele não se virou.

Renata pousou a mão no encosto da cadeira dele.

Depois olhou para Marina.

— Tenho visto algumas mensagens interessantes circulando entre conhecidos.

O estômago de Marina se contraiu.

Renata ergueu o celular.

Na tela estavam capturas das mensagens enviadas durante o último mês.

Havia bons-dias, convites exagerados e o meme do futuro marido.

Também aparecia a foto da caixa com o relógio.

— Pensei que todos poderiam achar divertido — Renata disse, elevando a voz. — Uma mulher usando o contrato do pai para se aproximar assim.

Algumas pessoas viraram o rosto.

Augusto parou de mover os talheres.

Camila, sentada mais adiante, apertou o guardanapo entre os dedos.

Marina sentiu os comentários flutuantes avançarem como uma onda.

Dessa vez, nenhum oferecia saída.

Renata inclinou a tela para que mais pessoas vissem.

— Talvez alguém devesse explicar os limites para ela.

Rafael pousou o garfo.

O movimento foi calmo.

A mesa inteira ficou quieta.

Ele estendeu a mão.

Renata entregou o celular, acreditando que ele confirmaria a acusação.

Rafael examinou as imagens por alguns segundos.

Depois olhou para Augusto, para Camila e finalmente para Marina.

— Sim — disse. — Ela me enviou todas estas mensagens.

Marina sentiu o sangue abandonar o rosto.

Rafael deslizou o dedo pela tela.

— Ela mandava bom-dia todas as manhãs.

Ele colocou o telefone sobre a mesa.

— Eu lia antes de começar a trabalhar.

Outra imagem apareceu.

— Também mandava boa-noite.

Rafael voltou os olhos para Renata.

— Eu lia antes de dormir.

Ele encontrou os memes.

— Estes eu salvei.

Renata perdeu o sorriso.

Rafael então puxou discretamente a manga do paletó.

O relógio preto apareceu em seu pulso esquerdo.

Era o mesmo que estava dentro da caixa fotografada.

Marina esqueceu como respirar.

— E isto — Rafael continuou — eu decidi usar.

Ele devolveu o celular a Renata.

— Marina não me perseguiu.

Renata tentou falar.

Rafael não permitiu.

— Ela foi honesta comigo, mesmo quando eu não soube responder com a mesma clareza.

A frase atingiu Marina antes de atingir qualquer outra pessoa.

— Ninguém a desencorajou porque ninguém tinha motivo para fazer isso — ele concluiu. — Estamos bem.

Renata recolheu o telefone.

Seu olhar percorreu a mesa em busca de apoio.

Não encontrou nenhum.

— Eu estava apenas preocupada — disse.

— Sua preocupação foi registrada — Rafael respondeu. — Agora pode voltar ao seu lugar.

Renata atravessou o salão sem dizer mais nada.

O som das conversas retornou lentamente.

Augusto observou o relógio no pulso de Rafael.

Depois olhou para a filha.

A expressão dele sugeria que o projeto hoteleiro acabara de ganhar uma possibilidade que não existia nos contratos.

Marina desejou desaparecer sob a mesa.

Camila, do outro lado do salão, ergueu as sobrancelhas com violência comemorativa.

Os comentários diante dos olhos de Marina começaram a admitir que talvez tivessem acertado por acidente.

Rafael retomou o jantar como se não tivesse acabado de desmontar uma humilhação pública.

Marina aproximou-se dele.

— Você está usando o relógio.

— Estou.

— No escritório, seu pulso estava vazio.

— Eu ainda não havia decidido.

— O que mudou?

Rafael cortou um pedaço pequeno da entrada.

— Você me perguntou por que guardei as coisas.

— Isso não responde.

— Para mim, responde.

Ela precisou olhar para outro lado.

Depois do jantar, Marina saiu para a varanda lateral do salão.

Tirou os sapatos e apoiou as mãos no parapeito.

O ar noturno ajudou pouco.

Rafael apareceu quatro minutos depois.

Ela sabia porque havia contado cada minuto.

— Renata ficará bem — ele disse.

— Eu não estava pensando nela.

— Em que estava pensando?

Marina virou-se.

— Por que você não pediu que eu parasse logo no começo?

Rafael permaneceu quieto.

Desta vez, ela esperou.

— No início, achei você estranha — ele disse.

— Justo.

— Depois comecei a esperar pelas mensagens.

Marina não se moveu.

— Você enviava bom-dia todos os dias.

Ele olhou para o próprio relógio.

— Fazia anos que eu não verificava o celular ao acordar.

— Você poderia ter respondido isso em vez de escrever recebido.

— Eu poderia.

— Poderia ter dito que gostava.

— Eu não sabia se gostava da atenção ou de você.

A honestidade doeu mais do que uma frase perfeita teria doído.

— E agora sabe?

Rafael se aproximou apenas o suficiente para reduzir o espaço entre eles.

— Sei que a atenção perdeu importância quando você tentou desaparecer.

Marina lembrou-se do vestido discreto, do elevador comum e da pasta usada como escudo.

— Eu persegui o homem errado — disse.

Algo próximo de um sorriso apareceu no rosto dele.

— Então continue cometendo esse erro.

Os comentários diante dela entraram em colapso.

Marina permaneceu olhando para Rafael.

— Você percebe que isso foi quase romântico?

— Quase?

— Ainda precisa praticar.

— Posso começar respondendo às mensagens com mais de duas palavras.

— Seria um avanço histórico.

Rafael tocou o relógio com o polegar.

— Não mande outro presente caro.

— Então posso continuar mandando presentes feios?

— Depende.

— De quê?

— Se eu tiver espaço na mesa.

Marina riu.

Rafael a observou com a mesma atenção que dedicava às decisões importantes.

— Foi por isso que guardou o guaxinim? — ela perguntou.

— Foi.

— Porque eu ri?

— Porque você entrou no meu dia sem pedir licença e deixou alguma coisa impossível de ignorar.

— Isso descreve o guaxinim ou eu?

— Os dois.

Ela respirou fundo.

— Rafael, você poderia simplesmente ter perguntado o que estava acontecendo.

— Eu estava com medo da resposta.

— Você?

— Eu também posso ter medo, Marina.

— De quê?

— De descobrir que você pretendia aquelas mensagens para outra pessoa.

Ela ficou em silêncio.

Era exatamente o que havia acontecido.

— Tecnicamente, eu pretendia — admitiu.

O rosto dele fechou um pouco.

— Mas continuei enviando depois de perceber quem você era.

— Por dois dias.

— Foram dois dias muito conscientes.

— E depois tentou fugir.

— Camila recomendou que eu deixasse o país.

— Ela parece sensata.

— Não diga isso perto dela.

Rafael estendeu a mão.

Marina olhou para os dedos dele antes de aceitar.

Não houve plateia, anúncio ou frase ensaiada.

Houve apenas a escolha de permanecer quando ambos já haviam considerado fugir.

Nas semanas seguintes, Rafael melhorou lentamente sua comunicação.

Bom-dia ganhou um Marina no final.

Recebido transformou-se em conte mais.

Anotado passou a vir acompanhado de uma pergunta.

Marina continuou exagerada.

Ela apenas deixou de fingir que já conhecia a resposta dele.

O projeto entre as empresas foi concluído sem interferência na relação dos dois.

Augusto fingiu considerar isso uma coincidência profissional.

Camila não fingiu nada.

Ela exigia atualizações completas e tratava cada mensagem de Rafael como prova de sua teoria original.

Renata manteve distância.

Quando encontrava Marina em algum compromisso do grupo, limitava-se a cumprimentos frios e perfeitamente educados.

Rafael nunca voltou a permitir que ela usasse acesso ou proximidade como arma contra outra pessoa.

Meses depois, Marina entrou no escritório pelo elevador privativo.

O código já estava memorizado.

O guaxinim permanecia no centro da mesa.

O relógio ainda estava no pulso de Rafael.

Ela se aproximou do telefone dele e viu uma imagem conhecida numa pasta de arquivos salvos.

Era o primeiro meme que enviara.

O mesmo que ele respondera apenas com recebido.

— Você guardou tudo — Marina disse.

Rafael ergueu os olhos do computador.

— Você enviou tudo.

— Os comentários disseram que você se apaixonou por mim naquele jantar beneficente.

— Não me apaixonei à primeira vista.

Ela cruzou os braços.

— Isso é decepcionante.

— Achei você interessante.

— É praticamente a mesma coisa.

— Não é.

— Você guardou o guaxinim.

— Guardei.

— Salvou os memes.

— Salvei.

— E usou o relógio.

Rafael olhou para o objeto em seu pulso.

— Usei antes de saber como responder às suas mensagens.

Marina perdeu a réplica.

Os comentários também.

Ela tocou o guaxinim com a ponta do dedo.

A peça continuava profundamente feia.

Mas já não parecia um aviso deixado sobre a mesa.

Era a prova do primeiro erro que os dois haviam escolhido não corrigir.

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