Ela Tentou Salvar Caio de Mim — e Descobriu Quem Ele Escolhia-Neyney

A porta do terraço se abriu violentamente, e Caio surgiu ofegante, com a gravata frouxa e os olhos procurando por mim em puro desespero.

Quando me encontrou, atravessou o espaço correndo e caiu de joelhos diante da cadeira.

Seus dedos agarraram minha saia como se aquele tecido fosse a única coisa impedindo sua queda.

Image

— Lívia, desculpe. Não me mande embora. Eu faço qualquer coisa.

Ele tremia tanto que mal conseguia respirar.

— Eu quebrei uma carteira. Posso comprar seu almoço por um mês. Só não diga que cansou de mim.

Passei a mão pelo cabelo molhado de suor.

O corpo dele começou a relaxar no mesmo instante.

— Não vou abandonar você. Eu estava provando um ponto.

— Nunca prove esse ponto novamente — ele pediu, enterrando o rosto nos meus joelhos.

Henrique apareceu na porta e observou o irmão com uma expressão pesada.

— Quando nossa mãe foi embora, trancou Caio num armário por dois dias. Ele tinha cinco anos.

Henrique explicou que Caio acreditava ter sido descartado porque não servia para nada.

As tarefas que eu lhe dava haviam se tornado uma prova de que ele ainda tinha lugar no mundo.

— Isadora acha que está resgatando um rapaz oprimido — Henrique disse. — Se conseguir afastá-lo, ele não vai amá-la. Vai desmoronar.

Na manhã seguinte, Isadora entrou com o braço enfaixado e contou que Caio a ferira durante o ataque de pânico.

Então ouvi o sistema anunciar dentro da mente dela: restavam 72 horas para criar um vínculo romântico, ou sua consciência seria apagada.

Isadora parou de chorar.

Se não podia conquistar Caio enquanto eu estivesse presente, ela precisava me tirar do caminho.

Durante dois dias, Isadora quase não se aproximou de nós.

Ela permaneceu sentada, roendo as unhas e observando cada movimento de Caio.

A aparente calma deixou minha colega mais tranquila.

Para mim, aquilo parecia apenas a pausa anterior a uma decisão desesperada.

Na sexta-feira, uma chuva pesada cobriu o pátio e transformou as passagens externas em corredores de água.

Durante o horário de estudo, uma aluna mais nova entregou um bilhete à minha colega.

O papel dizia que o professor Mauro precisava de ajuda no depósito antigo, atrás da quadra coberta.

O pedido envolvia organizar fichas de materiais esportivos.

O professor Mauro era conhecido por evitar qualquer tarefa que pudesse ser entregue a outra pessoa.

Além disso, o bilhete não tinha assinatura.

Olhei para a carteira vazia de Isadora.

A armadilha era óbvia.

Mesmo assim, eu precisava descobrir até onde ela pretendia chegar.

— Avise Caio que volto em vinte minutos — pedi.

Peguei meu guarda-chuva e atravessei o pátio.

O depósito ficava isolado do bloco principal por uma passagem descoberta.

Aquela distância abafava o som das salas e tornava o sinal do celular instável.

A porta de madeira estava apenas encostada.

Lá dentro havia colchonetes antigos, redes rasgadas, bolas murchas e peças enferrujadas de aparelhos de ginástica.

O lugar cheirava a mofo e couro molhado.

— Professor Mauro? — chamei.

A porta bateu atrás de mim.

Um cadeado pesado deslizou do lado de fora.

Isadora surgiu atrás de uma pilha de colchonetes.

O sorriso delicado usado diante da turma havia desaparecido.

— Finalmente consegui deixar você sozinha.

Fechei o guarda-chuva e apoiei a ponta dele no chão.

— Vai arriscar outra expulsão?

— Não me importo mais com o colégio.

Ela começou a andar entre os equipamentos, com o rosto contraído pelo medo.

— Você estragou tudo com Henrique e agora está fazendo o mesmo com Caio.

— Henrique rejeitou você sozinho.

— Eles sempre olham para você!

A voz dela ecoou pelo depósito.

— Você manda, humilha e usa Caio. Mesmo assim, ele corre quando você chama.

— Eu mantenho Caio ancorado.

Isadora riu, mas o som saiu quebrado.

— O sistema disse que eu vou desaparecer se não conquistá-lo.

Ela percebeu tarde demais que havia falado em voz alta.

Eu já sabia da existência daquela coisa, porém ela não sabia que eu conseguia ouvi-la.

— Então esse é o motivo — respondi. — Você não quer salvá-lo. Quer salvar a si mesma.

— É a mesma coisa.

— Não para Caio.

Isadora apontou para mim.

— Vou contar que você cansou dele.

O plano era simples e brutal.

Ela diria que eu pedira para ser trancada porque não suportava mais a presença dele.

Depois, ofereceria apoio quando Caio estivesse vulnerável.

— Você acha que ele vai chorar no seu ombro? — perguntei.

— Quando perceber que foi abandonado, precisará de alguém.

A voz mecânica interrompeu nossa conversa.

— Plano altamente instável. Probabilidade de hostilidade extrema: noventa por cento.

Isadora pressionou as mãos contra as têmporas.

— Cale a boca.

Sua boca não se moveu, mas o grito atingiu minha mente.

— Eu sou a protagonista. Quando Lívia sair, a história vai se corrigir.

Ela realmente acreditava que a realidade obedeceria à estrutura de um romance.

— Isadora, se disser a Caio que eu o abandonei, você não terminará essa conversa em segurança.

— Veremos.

Ela correu até uma abertura baixa de ventilação.

A grade já estava solta, indicando que tudo fora preparado antes.

Isadora passou pelo vão e recolocou a peça pelo lado de fora.

O clique seguinte confirmou que eu estava presa.

Olhei o relógio.

Eram três e quarenta e cinco.

As aulas terminariam às quatro.

Caio sempre me esperava cinco minutos depois, perto dos armários do corredor central.

Tentei abrir a porta, mas as dobradiças estavam reforçadas por placas de ferro.

Meu telefone não encontrava sinal dentro das paredes grossas.

Eu não temia ficar ali por algumas horas.

Temia o que aconteceria quando Isadora pronunciasse a palavra abandono diante de Caio.

Às quatro e cinco, ele já estava diante do armário 142.

Segurava uma caixinha de leite de morango aquecido, meu favorito nos dias de chuva.

Dez minutos se passaram.

O polegar dele afundou lentamente a embalagem.

Eu nunca me atrasava sem avisar.

Caio começou a revisar mentalmente tudo que fizera durante o dia.

Talvez eu tivesse descoberto a carteira quebrada.

Talvez estivesse irritada porque ele não almoçara.

Talvez tivesse decidido que cuidar dele exigia esforço demais.

O suor frio apareceu na nuca.

A respiração ficou curta.

— Caio.

Ele se virou.

Isadora estava no final do corredor, molhada pela chuva e com os olhos vermelhos.

A presença dela provocou uma hostilidade imediata.

Caio a conteve porque ainda precisava de uma resposta.

— Onde está Lívia?

Isadora aproximou-se com cuidado.

— Preciso contar uma coisa, mas não fique bravo.

— Onde ela está?

— Lívia foi embora.

A caixinha se rompeu dentro da mão dele.

O leite morno escorreu entre seus dedos e caiu sobre o piso.

— Foi embora — Caio repetiu.

— Ela disse que não aguentava mais sua dependência.

Isadora ergueu a mão e tocou o braço dele.

— Ela me pediu para contar porque não queria olhar para você novamente.

O pânico abriu um vazio dentro de Caio.

Por alguns segundos, ele voltou a ser a criança presa no armário.

Sem mim, não enxergava ordem, função ou direção.

Contudo, havia algo errado no rosto de Isadora.

Atrás da falsa compaixão, Caio percebeu um brilho de vitória.

Ele conhecia meus defeitos melhor que qualquer outra pessoa.

Eu podia ser mandona, impaciente e cruel quando provocada.

Covarde, nunca.

Eu também jamais escolheria Isadora como mensageira.

Caso quisesse descartá-lo, faria isso olhando diretamente em seus olhos.

— Você está mentindo — ele disse.

Isadora recuou meio passo.

— Não estou. Ela saiu pelo portão dos fundos.

— Onde está Lívia?

— Eu já expliquei.

Caio segurou Isadora pelo pescoço e a prensou contra os armários.

O impacto metálico percorreu o corredor.

Dois alunos que ainda estavam perto da escada se afastaram gritando.

— Onde ela está? — Caio perguntou.

Sua voz não carregava raiva.

A ausência de emoção tornou a ameaça ainda mais assustadora.

Isadora tentou afastar a mão dele.

Caio não se moveu.

Henrique surgiu na escada e correu até os dois.

— Caio, solte agora!

Ele puxou o ombro do irmão.

Caio permaneceu imóvel.

— Você tem três segundos — disse Caio. — Depois disso, não respondo pelo que acontecer.

— Um.

Henrique tentou abrir os dedos dele.

— Ela não vale sua vida, Caio.

— Dois.

Os olhos de Isadora se encheram de medo verdadeiro.

O sistema gritava dentro da cabeça dela.

— Dano crítico. Consciência hospedeira em risco.

— Depósito antigo — Isadora conseguiu dizer. — Ela está trancada no depósito da quadra.

Caio a soltou imediatamente.

Isadora caiu, tossindo e tentando recuperar o ar.

Ele não olhou para trás.

Correu pelo corredor, atravessou a saída principal e entrou na chuva.

Henrique permaneceu alguns segundos ao lado de Isadora.

Depois, seguiu o irmão, temendo chegar tarde demais.

Eu estava presa havia quase quarenta minutos.

A temperatura caíra, e a água escorria por baixo da porta.

Encontrei um peso de arremesso enferrujado e comecei a testar o cadeado por dentro.

Antes que pudesse golpeá-lo, ouvi um impacto do lado de fora.

A porta inteira tremeu.

Outro impacto abriu uma rachadura na madeira.

— Lívia!

A voz de Caio veio abafada pela chuva.

— Estou aqui!

— Afaste-se.

Dei vários passos para trás.

O terceiro chute arrancou parte da moldura.

No quarto, as dobradiças cederam.

A porta caiu para dentro, levantando poeira e espalhando pequenos fragmentos de madeira.

Caio apareceu no vão, encharcado e respirando com dificuldade.

Seus olhos vasculharam o depósito até me encontrar.

A tensão no rosto dele se rompeu.

Ele atravessou o espaço e me abraçou pela cintura com tanta força que quase perdi o equilíbrio.

— Ela disse que você me deixou.

Caio enterrou o rosto contra mim.

— Disse que estava cansada. Eu posso mudar. Posso falar menos e seguir você de longe.

Ele já não parecia o rapaz frio que ignorava todos no colégio.

Parecia novamente uma criança esperando que alguém abrisse a porta do armário.

Segurei seu rosto e obriguei Caio a olhar para mim.

— Eu mandei você ir embora?

— Não.

— Eu disse que não queria mais você?

— Não.

— Então por que acreditou naquela idiota?

A respiração dele ainda falhava.

Passei os dedos pelo cabelo molhado de sua testa.

— Você pertence à minha vida, Caio. Não aceite ordens de quem tenta separar nós dois.

Ele fixou os olhos nos meus.

— E eu não descarto quem escolhi manter comigo.

A frase não era saudável.

Eu sabia disso enquanto a pronunciava.

Porém, naquele instante, era a única linguagem capaz de alcançá-lo.

O desespero recuou dos olhos de Caio.

Ele encostou a testa no meu ombro e soltou lentamente o ar.

— Seu — murmurou. — Somente seu.

Henrique chegou ao depósito poucos segundos depois.

Ele examinou a porta destruída e depois observou o irmão agarrado a mim.

— Precisamos voltar antes que Isadora invente outra história.

Ajudei Caio a se levantar.

Ele manteve a mão fechada ao redor da minha durante todo o caminho.

Quando entramos no bloco principal, encontramos um corredor silencioso e desorganizado.

Isadora estava sentada no chão, cercada apenas por uma funcionária e pelos dois alunos que presenciaram o ataque.

A presença de Caio fez Isadora recuar.

Ele não demonstrou interesse por ela.

Enquanto tocava minha mão, sua postura havia retornado à frieza habitual.

Henrique tentou assumir o controle.

— Lívia, deixe a direção resolver isso.

— Não antes de ela ouvir o que provocou.

Parei diante de Isadora.

Ela segurava o pescoço e respirava com cautela.

— Você transformou Caio num monstro — disse ela. — Ele quase me matou.

— Você passou semanas tentando controlar um rapaz que nunca tentou compreender.

Isadora abriu a boca, mas eu continuei.

— Imaginou que ele era uma vítima esperando uma salvadora gentil.

Abaixei a voz para que somente ela e o sistema entendessem a frase seguinte.

— Caio não busca liberdade em você. Ele busca certeza em mim.

O rosto dela perdeu a cor.

— As tarefas, o leite e os livros não são humilhações para ele.

Caio apertou levemente minha mão.

— São a maneira que encontrou de acreditar que possui um lugar.

Isadora tentou se levantar.

— Isso é doentio.

— É uma ferida. Você decidiu pressioná-la porque precisava cumprir uma missão.

Ela olhou para Caio.

Nenhuma ternura apareceu no rosto dele.

A voz mecânica invadiu nossas mentes.

— Afinidade do alvo: menos cem.

Isadora ficou imóvel.

— Hostilidade irreversível estabelecida.

— Não — ela sussurrou.

— Missão fracassada. Iniciando protocolo de encerramento da hospedeira.

Isadora segurou a própria cabeça.

— Dê outro alvo. Posso voltar para Henrique.

Henrique observava sem entender por que ela gritava para o vazio.

— Posso fazer direito desta vez — Isadora implorou. — Não me apague.

O sistema não negociou.

— Extração iniciada.

Isadora caiu sobre o piso.

A funcionária se aproximou, mas Henrique pediu que ninguém a sacudisse.

Durante alguns segundos, apenas a chuva contra as janelas quebrou o silêncio.

Então Isadora puxou uma respiração profunda.

Seus olhos se abriram novamente.

A expressão havia mudado.

Não havia cálculo, desafio ou pânico pelo fracasso da missão.

Restava somente confusão.

Ela olhou para o uniforme e depois para as próprias mãos.

— Onde estou?

A voz parecia mais fraca e completamente diferente.

— Por que estou no chão?

O sistema falou pela última vez dentro da minha mente.

— Consciência invasora removida. Restaurando personalidade original.

Depois, desapareceu.

Henrique passou a mão pelo rosto.

— Chamem a enfermaria. A condição dela voltou.

A verdadeira Isadora não se lembrava do último ano.

Não reconhecia a perseguição a Henrique, a festa invadida ou as semanas tentando conquistar Caio.

Também não lembrava ter me trancado no depósito.

Para todos os outros, aquilo parecia uma crise psiquiátrica severa.

Somente eu sabia que outra consciência havia ocupado seu corpo.

Caio não demonstrou curiosidade.

Continuou olhando para mim, como se o restante do corredor tivesse desaparecido.

— Está com fome? — perguntei.

Ele assentiu.

— Você perdeu o almoço por causa dela.

Puxei-o em direção à saída.

— Vamos comer um hambúrguer. Você paga.

Um sorriso pequeno apareceu no canto da boca dele.

Era uma expressão rara, reservada aos momentos em que recuperava a certeza sobre nós dois.

— Está bem.

A direção iniciou uma apuração sobre o depósito e o ataque no corredor.

Henrique contou que Isadora havia mentido sobre meu desaparecimento.

Os dois alunos confirmaram que ela parecera satisfeita antes de Caio perceber a mentira.

Minha colega entregou o bilhete falso recebido durante o horário de estudo.

A grade removida e o cadeado completaram a sequência dos acontecimentos.

A família de Isadora não tentou mantê-la no colégio novamente.

Depois da avaliação médica, ela foi transferida para outra escola, em outro estado.

Os pais queriam oferecer um recomeço longe dos rumores.

Ela partiu sem entender por que tantos alunos pareciam temê-la.

Caio recebeu uma suspensão curta por ter atacado Isadora e destruído a porta do depósito.

A família Vasconcelos pagou os reparos exigidos pela mantenedora.

Henrique deixou claro que não esconderia outro incidente semelhante.

— Você precisa aprender a procurar Lívia sem quase matar alguém — disse ele.

Caio não respondeu.

Depois, perguntou a mim qual seria o horário para voltar às aulas.

Os boatos demoraram algumas semanas para perder força.

Alguns continuaram dizendo que eu havia transformado Caio em meu guarda-costas.

Outros concluíram que Isadora tinha inventado toda a história para chamar atenção.

Nenhuma versão explicava completamente o que acontecera.

Eu preferi que permanecesse assim.

Seis meses depois, estávamos perto da formatura.

Passei um sábado preenchendo inscrições para universidades em outro estado.

Caio estava sentado no chão do meu quarto, organizando os livros da estante por tamanho e cor.

Ele permanecia distante e impenetrável para quase todos.

Comigo, trabalhava em silêncio, satisfeito por receber uma tarefa concreta.

Girei a cadeira em direção a ele.

— Caio.

Ele interrompeu o movimento imediatamente.

— Sim?

— Vou estudar longe daqui.

— Eu sei.

— E o que pretende fazer?

— Candidatar-me às mesmas universidades.

A resposta veio sem hesitação.

— Henrique quer que você faça administração no exterior.

O rosto dele endureceu.

— Não me importa o que Henrique quer.

— E se não entrar na mesma universidade?

— Alugo um apartamento perto do seu campus e estudo em outra faculdade da região.

Ele falou como quem descrevia um compromisso já resolvido.

— Você nunca vai querer uma vida normal?

Caio se levantou e atravessou o quarto.

Ajoelhou-se diante da cadeira, apoiando os braços nos dois lados dela.

A posição me cercou sem realmente me prender.

— O que seria normal para você?

— Namorar alguém sem viver esperando minhas ordens.

Ele me observou durante alguns segundos.

— Antes de você, eu não sabia onde deveria estar.

Caio tocou uma mecha do meu cabelo e a colocou atrás da orelha.

— Você me deu forma, rotina e direção.

— Isso não torna nossa relação saudável.

— Talvez não.

A resposta honesta me surpreendeu.

— Mas é verdadeira.

Ele apontou para a mesa.

Ao lado da caixinha de leite de morango havia outro envelope de inscrição.

Caio já preenchera todos os formulários para as mesmas universidades que eu escolhera.

Ele não estava esperando minha decisão.

Tinha preparado silenciosamente o caminho para acompanhá-la.

Naquele instante, compreendi o detalhe que Isadora jamais perceberia.

O vínculo não funcionava apenas porque Caio precisava que eu segurasse a corda.

Eu também havia prometido nunca soltá-la.

— Você disse que não me descartaria — ele lembrou.

— Eu lembro.

— Então está presa comigo.

Segurei a gola da camisa dele e o puxei para perto.

Caio sorriu antes de tocar com os lábios o canto da minha boca.

O gesto foi suave, quase reverente.

Afastei-o alguns centímetros e apontei para a estante.

— Termine o serviço. Você esqueceu o livro da prateleira superior.

O mesmo sorriso raro retornou.

Caio pegou a caixinha de leite, colocou-a ao lado da minha mão e voltou para os livros.

— Sim, Lívia.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *